2ª parte – Viagem a Índia

A Busca pelo Eu

Era 1970 e a viagem até a Índia naquela época foi longa.

“Comprei uma passagem só de ida para Amsterdã, depois viajei pela Europa para Marrocos e dali atravessei a África do Norte.” De Istambul, Gil pegou vários trens e ônibus pela Turquia, Irã, até chegar ao Afeganistão. “Paguei apenas 30 dólares pelo transporte, alimentação e albergues. Era muito barato na época.”

 

 

No Afeganistão, ele conhece um inglês que se torna seu parceiro de viagem. “Ele me contou sobre as praias fabulosas e desertas. Então decidi acompanha-lo até Goa. Fomos de Cabul para Karachi, e de Karachi pegamos um barco para Bombaim e outro para Goa.”

Chegando em Goa, ficou encantado ao conhecer Eight Finger Eddie (Eddie “Oito Dedos”), talvez o primeiro freak em Goa, e ficou na casa dele, na Praia de Anjuna. “Uma casinha onde uma turma de freaks estava hospedada e alguns indianos”.

 

Eight Finger Eddie, “o pai de Goa”, segundo Gil, faleceu em 2010

 

Após duas semanas, Gil decidi continuar sua caminhada. Ele pega carona e caminha até o sul da costa indiana e depois começa a subir pelo outro lado. Em Puri, ele conhece Aghori Sâdhu, que falava inglês e continua sua jornada com ele. Eles vão para Calcutá e depois para Benares, a cidade sagrada do hinduísmo. Depois de visitar o Nepal, vão até Caxemira para o “Amarnath Yatra”, a peregrinação até a Caverna de Shiva, no alto do Himalaia.

“No verão de 1970, eu passava um tempo nas selvas de Rishikesh, onde belas canções vinham para mim, como os Vedas chegaram aos Rishis de antigamente”, diz.

 

Goa Gil comemorando seus 19 anos ao lado de outros Babas

 

Eles ficam Srinagar, em um templo cheio de Babas que estão indo para Amarnath. O líder local, Mahant Swami Nirmanaland, fornece a Gil suas primeiras iniciações. Um de seus gurus é Mahant Primi Giri Ji Maharaj, que se tornou seu principal Guruji após a morte de Swami.

O guru Ji Mahant Guru Ji fez de Gil um sâdhu, sob o nome Baba Mangaland Giri. “Com ele aprendi tudo o que há para saber sobre espiritualidade hindu e dos deveres de um sâdhu”. Goa Gil manteve uma grande disciplina naqueles anos. “Sâdhus compõem o exército de Shiva, a iniciação está longe de ser fácil.”

 

 

No início de 1971, Gil, agora chamado Baba Mangalanand, participa do Khumb Mela, uma peregrinação que reúne milhões de fiéis. “Lá, em nosso acampamento em Juna Akhara, recebi mais iniciações, raspei minha cabeça e tive uma experiência mística que me irritou para sempre”. Gil continua: “Depois do Khumb Mela, fui ao Himalaia para procurar um grande yogui que me falaram na época, para solicitar alguns ensinamentos”.

 

Créditos: Ruben Luz /  Festival Khumb Mela 2019 

 

 

Nessa altura, sua busca pela espiritualidade e autoconhecimento completa dois anos e o agora Baba, convive com hindus idosos há de mais um ano. Em dezembro de 1971, ele recebe uma mensagem de seus amigos perguntando onde ele estava, dizendo que queriam vê-lo e pedindo que vá até Goa. “Decidi que tinha que ir vê-los no Natal.”

 

Legenda: Gil tocando violão no Natal de 1971, em Ajuna Hill

 

Goa Gil falando sobre sua viagem a Índia, gurus e sobre “ser um DJ”: